quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CONCURSO OU UNIVERSIDADE OH DÚVIDA CRUEL.


O período de ingresso na universidade sempre foi seguido pela sensação de vitória, festa e fotos de choppada nas redes sociais de orgulhosos calouros. Para muitos, no entanto, este é apenas a largada para um caminho de dores e delícias rumo à sonhada posse em um emprego público. Com isso em mente e planejamento, alguns optam por adicionar à rotina o despertar cedo nos domingos de prova, mesmo sem poder assumir o cargo, caso classificados, com um único fim de simular o seu 'dia D'. Para o advogado Luiz Fillipe Cardoso, as experiências de estágio no Poder Judiciário e na Defensoria Pública, aliadas à descoberta pela vocação pela profissão de juiz, já o levaram para a vida de concurseiro desde os tempos de Direito, cursado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Durante a faculdade me inscrevi em dois concursos de nível superior, um para advogado da Petrobras, em 2008, e outro para Procurador do Banco Central, em 2009. Não pude fazer a primeira prova e não passei na primeira fase da segunda, mas esta experiência foi importante para avaliar o nível de exigência das bancas organizadoras e para conhecer a logística de uma prova de cinco horas de duração", disse Luiz.

Após sua formação em 2009, o advogado ainda experimentou a iniciativa privada com o fim de quebrar os mitos gerados pela falta de vivência na área. "A princípio minha opinião sobre o emprego privado era baseada no senso comum e em experiências de parentes, amigos e professores da faculdade, o que me levou a direcionar minhas escolhas de estágio acadêmico. Já formado, tive a oportunidade da praticar advocacia privada e consultoria jurídica e tais práticas reforçaram antigas crenças de desproporção entre carga de trabalho e remuneração recebida", relatou. Ciente das condições do mercado privado, Luiz Fillipe segue em seus estudos em busca de uma oportunidade na esfera pública.

Já com sua colega de turma, Luciane Lemos, os rumos da experiência semelhante acabaram por ganhar um viés diferente. "Durante a faculdade fiz de 20 a 30 concursos. Em alguns fui aprovada, mas, por sorte, acabei sendo chamada só após a formatura. Já no fim da faculdade, em 2009, fiz para Furnas, mas só assumi em 2011. Tive que entrar com ação judicial pois, apesar de aprovada, não fui convocada. Depois, fui classificado, em 2012, para o TRT, que havia feito em 2008", contou Luciane. Numa análise da situação salarial da iniciativa privada, a jovem reconhece que até exista a possibilidade de destaque e reconhecimento de um advogado particular, mas, em grande maioria, ela classifica a jornada de trabalho e a remuneração como "sofríveis". "A hora de trabalho do estagiário, muitas vezes, é mais bem remunerada do que a de um advogado formado. Muitos profissionais ganham R$2 mil, enquanto a própria anuidade da OAB já custa mais de R$600", denunciou.

Caso semelhante ocorreu com a dentista Nathalia Vilaça, formada em 2010 pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Apesar da pouca disponibilidade de vagas nos concursos de seu interesse, numa carreira com salários não tão atraentes quanto no ramo do Direito, a ideia de Nathalia, logo que decidiu fazer Odontologia, sempre foi o ingresso no serviço público. "Optar por iniciar essa experiência já na época de faculdade foi a forma que encontrei para conhecer as provas típicas dos concursos - ainda enquanto as matérias da graduação estavam bem presentes no meu cotidiano. A ideia de fazer uma faculdade com investimentos caros e, talvez, só conseguir um retorno a longo prazo era desestimulante. No âmbito privado, a remuneração e a carga horária só compensam quando se consegue um nome no mercado", justificou. Na ocasião, a dentista prestou concurso para a Marinha e para a SPDM/PSF, ambos em 2010, sendo aprovada, após a conclusão da graduação, para o segundo. Aos estudantes que estão seguindo os seus passos, ela garante: "cheguei a fazer curso preparatório para concursos durante o último período e deu pra conciliar tranquilamente com a faculdade. Até me ajudou nas provas". Dica registrada?
POR  Luciana Maline
FONTE:FOLHA DIRIGIDA